Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2.15)
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Lições Bíblicas: 1º Trimestre de 2016 (Jovens)



Título: Lições Bíblicas - Jovens
Editora: CPAD
Tema: Justiça e Graça - um estudo da doutrina da salvação da carta aos romanos
Ano/Trimestre: 1º trimestre de 2016
Comentarista: Natalino das Neves

Lição Bíblica: 1º Trimestre de 2016


Título: Lições Bíblicas
Editora: CPAD
Tema: O final de Todas as Coisas - esperança e glória para os salvos
Ano/Trimestre: 1º trimestre de 2016
Comentarista: Elinaldo Renovato







Esperando a Volta de Jesus - Lição 3 (Adultos)



Elinaldo Renovato*

“E o mesmo Deus de paz avos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23).


Como não sabemos o dia da volta de Jesus para arrebatar a sua Igreja, é indispensável estarmos preparados para aquele grande acontecimento, como se ele viesse a ocorrer hoje, agora. Infelizmente, na prática, há muitos cristãos que não estão preparados para subir com a Igreja, na volta do Senhor. Assim como as “virgens loucas”, de Mateus 25, estão descuidados, não têm reserva espiritual, negligenciam o seu testemunho e alguns escandalizam o nome do evangelho. No entanto, a volta de Jesus será repentina, como a vinda de um ladrão para assaltar uma residência. Não há hora marcada, não há dia conhecido. A surpresa é o fator preponderante. Por isso, a santificação é requisito fundamental para o encontro com o Senhor nos ares, em sua volta (1 Ts 5.23).
Jesus usou outras metáforas para demonstrar a surpresa de sua volta. Aludiu aos dias de Noé, quando os homens de sua época não estavam nem um pouco interessados em saber o que aconteceria, anos depois, quando o patriarca lhes alertava para a catástrofe hídrica que destruiria a humanidade de então. Alertou que sua vinda seria como nos dias de Ló, acrescentando apenas alguns poucos detalhes que diferenciavam uns dos outros. Nos dias de Noé: “Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” (Mt 24.38). “Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam” (Lc 17.28). Eles pensavam em tudo, menos em santidade. Só olhavam para as coisas da terra, e se esqueciam de olhar para cima (Cl 3.2).
Qual a diferença entre os dias de Noé e os dias de Ló? Nos primeiros, havia vida social normal, incluindo o casamento entre as pessoas; havia agricultura, pois “comiam, bebiam”. Nos dias de Ló, as atividades eram semelhantes, mas não se fala em casamento. Coincide com o relato de Gênesis 19. Em Gênesis 19.4,5, ficou registrado que os homens de Sodoma eram praticantes da homossexualidade. Queriam “conhecer”, ou ter relações com os visitantes que foram tirar Ló, imaginando que seriam apenas homens comuns. Diante da maldade excessiva daquelas cidades, Deus tirou Ló de lá, repentinamente, sem que os habitantes soubessem, e mandou um fogo dos céus que destruiu a todos. A pecaminosidade e a corrupção alcançaram níveis além do suportável pelo Deus sumamente santo.
Assim, uma característica comum ao que aconteceu com os povos antediluvianos e os de Sodoma e Gomorra foi a surpresa com que foram alcançados pelas respectivas tragédias. Jesus alertou que, na sua volta para buscar a Igreja, também as pessoas, no mundo, serão tomadas de surpresa. Jesus virá num dia e numa hora que ninguém sabe (Mt 24.36). Dessa forma, é indispensável que os cristãos estejam preparados, sabendo como esperar a volta do Senhor Jesus. E estar preparado é estar em santidade e em santificação, que é o processo contínuo da separação do mal.

I - Atitudes Corretas ante a Volta do Senhor
A primeira fase da volta de Jesus para buscar a sua Igreja, integrada pelos crentes fiéis e santos, será tão repentina que não haverá tempo para ninguém preparar-se de última hora. Os meios de comunicação antigos e os mais modernos não terão oportunidade para anunciar a iminência da volta de Cristo. Essa premência e surpresa do arrebatamento dos salvos já foi anunciada há muitos séculos, e estão bem claras nas Escrituras. Diante dessa realidade profética e real, o cristão verdadeiro, que tem consciência do que é ser salvo para ir para o céu, onde Cristo está (Jo 14.3), deve viver num estilo de vida e conduta de quem está esperando seu Senhor a qualquer momento.
1. Esperar com Vigilância
Quem espera a volta de Jesus a qualquer momento precisa estar vigilante, tanto ao que acontece ao seu redor, como dentro de si próprio.
Os sinais exteriores da volta iminente de Jesus já foram resumidos no capítulo anterior, e estão se cumprindo na História de maneira infalível, pois as palavras de Jesus não passarão (Mt 24.35). Porém, o crente em Jesus deve vigiar o que se passa no “ambiente” interior de seu ser, do seu coração. Os acontecimentos proféticos hão de cumprir-se independentemente da vontade dos homens sem Deus ou mesmo dos crentes fiéis. Mas o que acontece no interior de cada pessoa depende de si, de suas atitudes mentais, de seus sentimentos e emoções, ou “do coração”. O Dicionário Houaiss diz que vigilância é “1. Ato ou efeito de vigiar(-se); 2. Estado de quem vigia; 3. Precaução; 4. Cuidado, atenção desvelada” (grifo nosso). A partícula se indica a vigilância de si mesmo.
A maioria absoluta dos crentes que ficarão para trás na volta de Jesus deixará de ir para os céus por causa de suas atitudes erradas, de sua conduta em desacordo com a vontade Deus, expressa em sua Palavra. Jesus alertou quanto a isso e exortou os discípulos a serem vigilantes: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24.42). Ele também ensinou sobre a natureza tendente ao pecado que está dentro de cada um: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt 15.19; Mc 7.21). Todos esses pecados começam no interior do homem. Satanás conhece bem essa realidade, desde que tentou o homem no Éden e viu que o ser criado era suscetível de deixar de ouvir a voz de Deus e ouvir a tentação.
Para não cair em tentação, e ficar para trás na volta de Jesus, só existe uma receita, dada por Jesus (Mt 26.41). Somente com oração, muitas vezes reforçada pela prática do jejum, é que podemos vencer as concupiscências da carne. É evidente que a maioria dos crentes, hoje, não gosta de orar. As jovens consideradas loucas em Mateus 25 ficaram de fora da festa nupcial porque não vigiaram, deixando faltar o azeite em suas vasilhas. Nos dias presentes, há muitos evangélicos negligentes. Mas Jesus mandou vigiar constantemente, pois não sabemos a hora em que Ele há de vir. “Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa” (Lc 12.39).
2. Viver na Unção do Espírito Santo
Na parábola das Dez Virgens (Mt 25), vemos a necessidade do azeite, que simboliza a presença do Espírito Santo, para esperar “o Noivo”. Somente as “virgens prudentes”, que tinham azeite em suas vasilhas, e também reservas por precaução, puderam entrar com o noivo para as bodas. As “insensatas” ou imprudentes “ainda” foram comprar azeite, e se atrasaram para as bodas: “E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25.10 - grifo nosso). A parábola retrata um casamento oriental, em que, durante uma semana, havia as bodas. As dez virgens representam os crentes em geral. As prudentes representam os crentes que estão esperando a volta de Jesus, na comunhão do Espírito Santo, sentindo a sua presença, tipificada pelo azeite. As virgens “loucas” não são débeis mentais, mas crentes que, ao longo dos anos, se descuidam, e deixam de buscar a presença de Deus e de seu Espírito. Notemos que a diferença fundamental entre as prudentes e as loucas era o que elas tinham quanto à provisão do azeite. Nas igrejas em geral, há um esfriamento quanto à busca do batismo com o Espírito Santo, que corresponde à “reserva” indispensável para esperar com segurança a volta de Jesus.
Quando o crente aceita a Cristo, já tem o Espírito Santo habitando com ele, “habita convosco”, mas Jesus prometeu: “estará em vós” (Jo 14.17). Os discípulos já eram salvos, mas ainda precisavam ser “revestidos de poder” (Lc 24.49). E esse revestimento especial, distinto da salvação, começou a acontecer e a estar à disposição dos salvos, quando da descida do Espírito Santo, como Jesus prometeu (At 1.8; 2.1-13). Sem a presença do Espírito Santo, no crente, e na sua vida, é impossível esperar a vinda de Jesus de forma correta. Precisamos ser cheios do Espírito (Ef 5.18; At 13.52); andar em Espírito (Rm 8.1; G15.19); ser guiados pelo Espírito (Rm 8.14); ser templo do Espírito Santo (1 Co 6.19). Sem a unção do Espírito Santo, nos dias presentes, é impossível viver a Palavra de Deus, obedecer ao Senhor e estar pronto para o arrebatamento.
3. Viver com Santidade
Santidade é uma palavra esquecida por muitos pastores. Para agradar a todos, numa atitude demagógica, muitos deixam de ministrar a doutrina da santificação, principalmente para a juventude. Há igrejas que inventaram as “boates-templo” para atrair jovens para um ambiente parecido com os locais de reunião de jovens para namorar, beber, marcar encontros, etc., mesmo que em tais “boates evangélicas” não haja bebidas alcoólicas. Há igrejas que usam estruturas de luta-livre, de artes marciais e até de “rodeios”, com animais dentro dos templos, para atrair os jovens! No tempo de Jesus e no de Paulo já havia os Jogos Olímpicos, com diversas modalidades, mas nem Cristo nem Paulo, nem de longe, sugeriram tais aberrações para atrair pessoas para o evangelho.
O evangelho do entretenimento tem suplantado o evangelho do sofrimento por Cristo. Mas sem santificação “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Ser santo é ser separado, consagrado para Deus. O apóstolo Pedro nos exorta a sermos obedientes e santos em toda a nossa maneira de viver (1 Pe 1.13-15). Santidade pressupõe irrepreensibilidade. Paulo exortou: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Quando falamos de santificação não queremos passar a ideia do legalismo e do fanatismo de algumas denominações, de forma alguma. Para ser santo, um servo ou uma serva de Deus não precisa tornar-se um eremita ou um monge medieval, que se isolavam das cidades, para “não se contaminar com o mundo”.
Santificação é uma necessidade imperiosa de separação de tudo o que a Bíblia condena e não do que certos líderes elegem como pecado, sem qualquer fundamento bíblico. Houve tempo em que, se um homem não usasse chapéu, não seria santo; se uma mulher não usasse um vestido longo, com decote no pescoço e mangas compridas até aos punhos, mesmo num clima tropical, não seria santa; também não seria santa uma jovem que, mesmo tendo cabelos longos, aparasse as pontas; se usasse um diadema estaria condenada ao inferno. Isso não é santidade. Isso é fanatismo, intolerância e sectarismo, sem qualquer base na Palavra de Deus. O mais terrível e detestável dessa visão de santidade é que tais coisas são consideradas pecados, enquanto outras, claramente condenadas pela Bíblia, não são consideradas, como mentira, calúnia, difamação (crimes contra a honra), calotes, desvio de dinheiro dos cofres de igrejas, falta de amor, aborrecimento ou ódio a quem não pensa da mesma forma, e tantos outros comportamentos execráveis. Isso é farisaísmo, e não santidade.
Não defendemos o desrespeito aos bons usos e aos bons costumes, que têm fundamento bíblico, mas rejeitamos o legalismo e o autoritarismo que já empurraram muitos para o inferno. Como ficam diante de Deus aqueles que contribuíram para a matança espiritual sem motivo ou fundamento na lei de Deus? A eles faltava o requisito a seguir comentado.
4. Esperando com Amor
Os crentes que subirão ao encontro do Senhor serão seus discípulos fiéis e verdadeiros. Já vimos que a “marca registrada” do cristão não é o nome da denominação, nem o nome de família, nem o cargo que ocupa na igreja local, mas o amor de Deus no coração e na prática diária. Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35 - grifo nosso). Esta é uma verdade neotestamentária, pouco anotada por grande parte dos evangélicos, inclusive por pastores de grandes igrejas.
Os verdadeiros cristãos, que esperam a volta de Jesus, não são identificados pelo nome ou razão social da denominação, do ministério ou da igreja. O Senhor Jesus, num de seus discursos, em presença dos seus discípulos lhes apresentou “um novo mandamento”, por assim dizer, o “décimo primeiro mandamento”, que eles não tinham em mente. Conheciam bem os Dez Mandamentos da Lei de Moisés, que também era a Lei de Deus. Ele ressaltou o valor desse “novo mandamento”, que o dever de os seus servos amarem uns aos outros, da mesma forma como Ele nos amou. Essa é a identidade do verdadeiro cristão, preparado para subir no arrebatamento - ter amor pelos seus irmãos em Cristo. E característica ou a marca distintiva do verdadeiros discípulos de Jesus ter amor pelos irmãos.
Nesse quesito, ou requisito, como estão os crentes no século XXI? Tomemos o exemplo de nosso Brasil. O evangelho tem um crescimento numérico extraordinário. São milhares de igrejas e milhões de crentes, numa dimensão que, segundo estatísticas com projeções do IBGE, em 2014, os evangélicos seriam 25% da população (em torno de 52 milhões de pessoas). No entanto, são evidentes as divergências, as competições e as discordâncias entre igrejas históricas e as chamadas neopentecostais. Não só em termos doutrinários, mas, também em termos comportamentais. Há líderes de grandes igrejas, que, em programas de televisão, abertamente criticam outras igrejas e outros pastores. Isso é falta de ética, e também falta de amor. Atitudes que em nada glorificam a Deus (cf. 1 Co 10.31). Mais triste é ver obreiros que não conseguem sequer saudarem-se com a paz do Senhor. Como estarão esses na vinda de Jesus?
Se pudéssemos perguntar ao apóstolo João como estarão os crentes que não têm amor a seus irmãos, o que ele nos responderia? Vejamos: “Aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas” (1 Jo 2.9). Isto é, quem aborrece a seu irmão, mesmo que esteja numa igreja há muitos anos, nasceu nela, é obreiro, prega bem, canta bem, etc., simplesmente “está em trevas”, ou seja, não é salvo. Acreditamos que, ampliando sua resposta sobre os que não vivem em amor e aborrecem seus irmãos, João nos acrescentaria: “E tem mais, é muito perigoso não amar o irmão por que ‘aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos’” (1 Jo 2.11).
Se insistíssemos, dizendo: “Apóstolo João, esse não seria apenas um ‘pecado que não é para a morte’, e podemos orar por eles, como o senhor diz em 1 João 5.16?”, o apóstolo, certamente, ficaria mais sério, e responderia: “Meu filho, há muita gente, inclusive pastores, que consideram os maiores pecados a falta de obediência aos usos e costumes, mas muitos desses nem sequer serão reconhecidos na vinda de Jesus. Sabe por quê? Anote: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” (1 Jo 3. 14,15 - grifo nosso).

II - Atitudes Errôneas Diante da Vinda de Jesus - no Arrebatamento
1. Ignorando a Vinda de Jesus
Em Mateus 24.48, o mau servo diz: “O meu senhor tarde virá”, e passa a viver de modo negligente e desatento, completamente alheio à volta de Cristo. A este, diz o Senhor: “Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 24.50). Nestes tempos de sinais evidentes da proximidade da vinda de Jesus, há muitos evangélicos brincando de ser crentes. Há obreiros que não mais falam na vinda de Jesus. É negligência espiritual. Quanto aos ímpios, é natural que não levem em conta as advertências da Palavra de Deus quanto à proximidade e surpresa da volta de Jesus. Mas os cristãos não devem descuidar-se dessa realidade espiritual tão significativa.
2. Escarnecendo das Profecias
O apóstolo Pedro escreveu: “sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2 Pe 3.3,4). O apóstolo deu como resposta o ensino bíblico, que indica a matemática de Deus quanto à contagem dos tempos, dizendo: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3.8). Pedro envia essa mensagem a pessoas crentes, que estão nas igrejas. Como visto, no capítulo 1, há diversas interpretações quanto ao arrebatamento da Igreja. Há, inclusive, teólogos que dizem que Jesus jamais virá nas nuvens para buscar a sua Igreja (1 Ts 4.17), que isso é apenas uma utopia motivadora para os crentes se comportarem de modo santo. É melhor estar preparado, e conferir os sinais proféticos de acordo com a santa Palavra de Deus.
3. Traição e Aborrecimento
E um dos sinais da vinda do Senhor Jesus. Esse comportamento pode levar muitos à condenação eterna. Jesus profetizou: “Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão” (Mt 24.10). Qual a causa dessa traição entre os que se dizem cristãos, no tempo da volta de Jesus? Ele responde: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24.12). Não há necessidade de nenhuma pesquisa para constatar, pelas evidências diárias, na mídia e no comportamento humano, que a iniquidade está generalizada, no mundo todo, e com muita incidência em nosso país.
Esse aumento da iniquidade acaba influenciando o comportamento dos crentes negligentes quanto à volta do Senhor. E muitos nem percebem que estão aborrecendo seus irmãos, seja pelo legalismo exacerbado, seja pela inveja, pela calúnia, seja pela maldade e carnalidade. O apóstolo João anotou que quem aborrece a seu irmão não pode entrar no Reino de Deus: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” (1 Jo 3.15). Naturalmente, diante de Deus, quem aborrece a seu irmão é um homicida espiritual, passível da penalidade com a perdição, tanto quanto o homicida que tira a vida física de alguém.
III - Os Dois Tipos de Servos
Na vinda de Jesus, haverá dois tipos de servos. Os fiéis e os infiéis. Os que fazem a vontade de Deus e os que estão fora de sua vontade. Os que estão no seu lugar e os que estão fora do lugar. Os que estão vigiando e os que estão descuidados, como na parábola das Dez Virgens.
E Jesus proferiu outra parábola, enfatizando esses dois tipos de crentes. A parábola dos dois servos.
1. O Servo Fiel
“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o Senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens” (Mt 24.4547). Essa parte da parábola, no meio do Sermão Profético de Jesus, dá a entender que Ele se referia a servos que têm liderança, ou seja, obreiros, pastores, dirigentes de congregação ou de trabalhos, nas igrejas locais, que, no seu conjunto, se forem verdadeiras, formam o todo maior que constitui a Igreja do Senhor. E que deverão prestar contas, de modo “que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”. “Primeiro, porque eles são constituídos “sobre a sua casa”. Estar “sobre a casa” é ser líder, mordomo, ou administrador dos bens de seu Senhor. Hoje, a “casa de Deus”, ou “casa de Jesus”, pode ser identificada como uma igreja cristã, que reúne servos ou discípulos de Jesus num determinado lugar. Numa visão mais ampla, ser “servo fiel e prudente” pode-se aplicar a cada crente individualmente, homem ou mulher, que espera a volta do Senhor.
Esse “servo fiel e prudente” são os líderes ou pastores, que atuam na obra do Senhor com fidelidade e amor. Em segundo lugar, o texto diz que esse servo, elogiado pelo seu Senhor, é constituído “para dar o sustento a seu tempo” sobre a sua casa, ou seja, aos que vivem e trabalham na “casa do Senhor”. Os pastores das igrejas, sejam quais forem elas, pequenas, médias ou grandes, devem ser realmente apascentado- res do rebanho de Jesus. As ovelhas não lhes pertencem. Todo pastor cristão pastoreia ovelhas que não lhes pertencem. E um dia haverão de prestar contas de como as trataram como ovelhas do Senhor. Nesse aspecto, é o apóstolo Pedro quem melhor traduz como deve ser o comportamento dos pastores, como servos fiéis e prudentes: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória. (1 Pe 5.1-4)
Essas são as qualidades que devem identificar um “servo fiel e prudente” constituído para cuidar da casa do Senhor. Dando o alimento ao “rebanho de Deus”, agindo, nesse cuidado, sem autoritarismo; trabalhando sem “torpe ganância”, como tantos têm aparecido, em noticiários na mídia, apropriando-se de dinheiros das ofertas e dízimos das igrejas. A cobiça e a ganância têm tornado muitos obreiros em ladrões e corruptos no meio evangélico, causando escândalos ao bom nome do evangelho (Mt 18.7). Ao servo “fiel e prudente”, que lidera a obra do Senhor, está reservado um galardão especial, não concedido a nenhum outro tipo de servo: “a incorruptível coroa de glória”!
2. O Mau Servo
“Porém, se aquele mau servo disser consigo: O meu senhor tarde virá, e começar a espancar os seus conservos, e a comer, e a beber com os bêbados, virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt 25.48-51). Nesse ponto, na parábola dos dois servos, parece que Jesus quis mesmo exagerar nas qualidades negativas do mau servo. Se, no caso do “servo fiel e prudente”, pudemos relacionar Com os obreiros fiéis, sobre as igrejas cristãs, nesse caso do “mau servo” não é fácil fazer a correlação dessas péssimas qualidades com os líderes da obra do Senhor. Admitimos que há maus servos, ou maus obreiros, à frente de igrejas, como dirigentes, bispos, presbíteros ou pastores. Mas entendemos que são exceções.
Certamente, tais qualidades não recomendáveis para um servo ou serva de Deus aplicam-se bem a todos os crentes, que estão esperando a volta de Jesus. A exemplo das “virgens loucas”, de Mateus 25, o “mau servo” racionaliza, em função do tempo de crente, ou da história da igreja, ao longo dos séculos, e diz: “O meu senhor tarde virá”. Tal raciocínio leva o crente a se descuidar, e negligenciar sua fé e sua conduta. O que é muito perigoso. Facilmente, esse tipo de pensamento leva o crente a cair em tentação, visto que, descuidado, se esquece de orar e de vigiar como Jesus exortou em Mateus 26.41.
Há muitos que começam a carreira cristã, mas não a terminam. Em Mateus 24.45, o Senhor destaca a qualidade de fidelidade e prudência do servo que estará esperando a sua vinda. Essas características devem fazer parte da vida dos que entendem que estamos vivendo a geração da última hora, da geração que verá e fará parte do arrebata- mento da Igreja. “Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o Senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?”.

*Elinaldo Renovato de Lima, Ministro do Evangelho, Professor universitário e Bacharel em Ciências Econômicas, pastor titular da ADPAR - Assembleia de Deus em Parnamirim/RN, membro da Convenção Estadual de Ministros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte (CEMADERN) e membro da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

                                  




Revista Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre 2015 - Estabelecendo relacionamentos saudáveis



Titulo: Lições Bíblicas Jovens
Tema: Estabelecendo relacionamentos saudáveis
Ano/trimestre: 4º trimestre de 2015
Comentarista: Esdras Costa Bentho
Classe: Jovens



Revista Lições Bíblicas - 4º Trimestre 1995 - Gênesis: O princípio de todas as coisas



Título: Lições Bíblicas
Tema: Gênesis: O princípio de todas as coisas
Ano/trimestre: 4º trimestre de 1995
Comentarista: Elienai Cabral
Classe: Jovens e Adultos.



Lição 8 - O Princípio do Governo Humano (Adultos)


*Claudionor de Andrade


INTRODUÇÃO
Imaginemos o Dilúvio em nossos dias. Ao entrar no imenso navio, construído nalgum estaleiro asiático, Noé e sua família teriam de deixar, para trás, a maior parte das invenções e conquistas dos últimos cem anos. De nada lhes serviria o avião, o tablete ou o celular. Mas, sabiamente, aperceber-se iam de provisões para uns 13 ou 14 meses, pois a vida, a bordo da arca, exigiria muita comida, ração e água potável.
Passada a grande inundação, e já fora da imensa nau, a família noética teria de iniciar um novo processo civilizatório. As invenções teriam de ser reinventadas, e as coisas já descobertas, redescobertas com urgência Já imaginou recriar o motor elétrico, o automóvel, a televisão, o computador entre outras maravilhas de nossa era? Nem mencionaremos os avanços na área da medicina.
 A humanidade, em apenas quarenta dias, seria arremessada, da era do conhecimento, à idade do bronze A partir daí, teríamos de retrilhar os passos dos sábios, cientistas e inventores, para que voltássemos a usufruir de algum progresso tecnológico. Providencialmente, a civilização adâmica, naquele período, ainda era rudimentar se comparada à nossa Mesmo assim, teve de haver um recomeço.

I. O RECOMEÇO DA CIVILIZAÇÃO
Os avanços da primeira civilização, embora admiráveis, ainda podiam ser razoavelmente dominados por uma única família. Que o patriarca fosse agricultor, não há dúvida. Quanto aos seus filhos, não lhes sabemos as profissões. Sei apenas que Noé, Sem, Jafé e Cam, eram excelentes marceneiros, por terem levado adiante o projeto de uma arca que, apesar do formidável cataclismo, deu-lhes abrigo e segurança por mais de um ano. Portanto, em sua construção, lograram eles preservar os princípios indispensáveis da ciência e da tecnologia do mundo antediluviano.
       1. A continuidade história da humanidade. O Dilúvio rompeu um processo civilizatório, mas, paradoxalmente, deu prosseguimento à história da humanidade A narrativa que teve início, com Adão, teria continuidade, agora, com Noé Portanto, a grande inundação é apenas um trecho da longa peregrinação do ser humano sobre a face da Terra.
Hoje, narramos a História Sagrada aos nossos filhos e netos sem que seja preciso explicar-1hes hiatos ou lacunas. Arqueologicamente, os vestígios diluvianos não são expressivos. Teologicamente, porém, as evidências são fortes, irrespondíveis e racionais. Estamos diante de um fato, não de uma parábola ou alegoria.
A história ai está para lembrar-nos que, apesar de nossos pecados e iniquidades, o plano divino para os filhos de Adão será rigorosamente cumprido. Por isso, o Dilúvio não pode ser visto apenas como a maior tragédia natural do planeta, - tem de ser encarado como a maior epopeia da espécie humana.
       2. O repovoamento da terra. A história da humanidade terá continuidade com uma nova civilização. Mas, para que esta vingue, é necessário e urgente repovoar a terra Por isso, o Senhor abençoa Noé e sua família “Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 9.1). A benção fazia-se imprescindível, porque o repovoamento do planeta haveria de ser efetuado a partir de três casais.
A reserva genética de que dispunha a espécie humana, naquele momento, era insignificante. Três casais para repovoar a Asia, a Europa, a África, as Américas e a Oceania Os primeiros casamentos, por conseguinte, dar-se-iam entre primos. Noutras circunstâncias, as uniões endogâmicas acabariam por gerar homens e mulheres débeis, enfermiços e até mesmo desfigurados. Haja vista os desastres genéticos da casa de Faraó. Para que isso não viesse ocorrer na família de Noé, abençoa Deus extraordinariamente aqueles casais, cujos filhos teriam de nascer fortes, saudáveis e perfeitos, pois a sua missão civilizatória seria árdua e estressante
Era a segunda vez que o Senhor abençoava geneticamente a raça humana A primeira deu-se com Adão e Eva, cujos filhos tiveram de casar-se entre si. Agora, porém, isso não mais será necessário, pois, ao invés de um, há três casais prontos a dar sequência ao repovoamento do planeta Abençoados, haveriam de gerar povos fortes, inteligentes e aguerridos que, em breve, espalhar-se-iam pelos cinco continentes.
Daqueles três casais saíram tribos, povos, reinos e impérios.
3. Uma nova realidade ecológica. Em consequência da grande inundação, a Terra já não teria a fartura e a prodigalidade do período pré-diluviano. Doravante, seus habitantes terão de experimentar longas estiagens, fomes e enfermidades. Se o planeta anteriormente era protegido por um escudo aquoso, este, por ocasião do Dilúvio, veio abaixo, engolindo boa parte dos continentes. Desde então, achamo-nos vulneráveis aos raios ultravioletas do Sol. E, sob tais condições, ninguém mais desfrutaria da longevidade tão comum à primeira civilização.
A Terra, agora, passaria a requerer maiores cuidados e empenhos. A nova realidade ecológica encurtar-nos-ia a vida, não nos permitindo avançar além dos 120 anos. Na realidade, quem chega aos 80 dá-se por feliz.

II. O ARCO DE DEUS
Segundo os antigos gregos, o arco-íris pertencia a uma deusa, cuja tarefa era unir o Céu e a Terra. Mensageira dos olimpianos, estava sempre pronta a derramar oráculos e mistérios sobre os pobres mortais. Íris, como era chamada, de vez em quando fazia o seu arco aparecer, a fim de acalmar as gentes do Mediterrâneo.
Se nos pusermos a pesquisar as mitologias europeias, africanas, asiáticas e ameríndias, constataremos: o arco, que nunca pertenceu a íris, acha-se na alma de todas as tribos, nações e povos. Mas, somente na Bíblia Sagrada, encontraremos o seu verdadeiro proprietário e significado.
       1. Uma promessa bem visível. Já fora da arca, Noé erige um altar, e, sobre este, oferece aves e animais limpos ao Senhor, agradecendo-o pelo grande livramento. O sacrifício alcança os céus, e acalenta o coração de Deus. Em seguida, promete-lhe o Senhor: “Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz” (Gn 8.21).
O Senhor deixa bem claro ao seu servo, que a Terra não será arrasada por outro dilúvio: “Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gn 6.22). Para que não pairasse dúvida alguma sobre as suas intenções, aprouve a Deus dar-lhes um sinal bem visível de sua aliança com a raça humana: “Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra” (Gn 9.12-16).
A partir daquele momento, os seres humanos veriam a chuva não mais como ameaça, mas como parte das bênçãos divinas. Aos israelitas prestes a tomar posse de Canaã, promete o Senhor através de Moisés: “Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar o Senhor, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite” (Dt 11.13,14).
Hoje, faltando chuva num lugar, todos olham para o céu a esperar pela intervenção divina. Enquanto redijo estas linhas, a cidade de São Paulo acha-se inquieta, porque não houve chuva suficiente em seu principal reservatório.
       2. A função do arco de Deus. Hoje, até poderíamos viver sem o arco-íris, porque todos sabemos que Deus não voltará a destruir a Terra através de um novo dilúvio. Aos descendentes de Noé, porém, o arco de Deus não era apenas um fenômeno ótico; era a garantia de que o Senhor estava no controle de todas as coisas. E, portanto, não permitiria que a segunda civilização tivesse qualquer ruptura, pois os seus desígnios são eternos.
Já imaginou se o arco de Deus não aparecesse por ocasião de uma chuvarada ou tempestade1 A geração pós-diluviana seria arruinada por uma profunda e incurável depressão. Bastaria o tempo fechar e as nuvens sobrecarregarem-se, para que todos se apinhassem nos outeiros, montes e torres. Aliás, a humanidade não faria outra coisa a não ser construir barcos e navios, pois a imagem do Dilúvio era ainda aterradora.

III. UMA NOVA CIVILIZAÇÃO
A partir do altar que erguera ao Senhor, inicia Noé uma nova civilização. Ele invoca a Deus  que, prontamente, responde-lhe com uma promessa. Portanto, o início da civilização atual foi essencial e ostensivamente teocrática. Mas, para que os males da primeira não viessem a destruir a segunda, o Senhor toma uma série de medidas, a fim de viabilizá-la.
      1. A extensão da vida humana. Os homens já não serão tão longevos quanto os antediluvianos. Se fizermos uma comparação entre a genealogia do capítulo cinco, que tinha como tronco o próprio Adão, e a do capítulo 11, cuja cepa é Noé, concluiremos que Deus, de fato, reduziu drasticamente a extensão da vida humana.
Doravante, o homem não mais contará a sua vida em séculos, mas em poucas e minguadas décadas. Se Matusalém alcançou 969 anos, José morrerá aos 110. E, hoje, os mais robustos logram chegar aos 70 ou, quando muito, 80 anos. Se por um lado os bons pouco viverão, os maus não durarão muito. Dessa forma, daremos sequência à civilização através de nossos filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Senão podemos ter um John Wesley com 500 anos, não corremos o risco de um Hitler com 600. Sábia e amorosamente, o Senhor encurtou--nos os dias, para que viéssemos a contá-los e remi-los de acordo com a sua vontade.
       2. A nova dieta humana. Na primeira civilização, a dieta humana era composta de frutas, verduras e legumes. Após o Dilúvio, porém, o Senhor permite aos filhos de Noé a dieta animal, para suplementarem a vegetariana, Eis a orientação que Deus deixa a Noé: “Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comer eis” (Gn 9.3,4).
Se, no início, os animais serviam apenas para o culto ao Senhor e para as lidas do campo, a partir de agora hão de servir também como alimentação aos filhos de Noé.

IV. ORDENAMENTO JURÍDICO DA NOVA CIVILIZAÇÃO
Na era pré-diluviana, era o próprio Deus quem ministrava a justiça entre os filhos de Adão. Não havia medianeiros angélicos nem humanos. Por causa da morte de Abel, arguira o Senhor pessoalmente a Caim, punindo-o com o desterro. O assassino, temendo por uma vindicação terrena, supusera que o primeiro a encontrá-lo tirar-lhe-ia a vida. O Juiz de toda a Terra, contudo, havia proibido semelhante justiçamento. E, para tanto, colocara um sinal no homicida, para que este fosse poupado. Agora, porém, a realidade jurídica do planeta será mais rígida, - não admitirá contemplações. Somente com a vida poderá a vida ser vingada.
       1. O fundamento jurídico da nova civilização. Nenhuma civilização é possível sem um sólido fundamento jurídico. Sem lei, não há convivência, mas uma sobrevivência hostil e nada solidária. Nas famílias, onde a disciplina é visível, todos progridem e desenvolvem-se. Onde reina a anarquia, a dissolução é mais que certa,- é uma fatalidade anunciada.
Por essa razão, o Senhor entrega o governo da Terra a Noé, deixando-lhe um preceito que logo se faria universal: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu, - porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gn 9.6). Tal princípio seria ratificado pelo Cristo. Utilizando o vocabulário da graça divina, afirma o Filho de Deus: ‘Tudo quanto, pois, quer eis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12).
A essência de ambas assertivas é a mesma. Se quero viver, então que eu deixe viver. Se não quero ser ferido, que eu a ninguém fira. Se quero que me façam o bem, que eu não me prive de fazer o bem Mas, fazendo-me alguém o mal, não devo retribuir-lhe com o mal; tenho de mostrar-lhe o bem que a tudo vence. Alei do amor cristão transcende essas fronteiras, pois espelha a ação do Nazareno.
       2. A santidade da vida humana. A lei que o Senhor entregou a Noé é o germe de todo o ordenamento jurídico do planeta. Sua essência acha-se tanto nos Dez Mandamentos como no Sermão do Monte. Aliás, nenhum ordenamento jurídico respeitável pode dispensar tão precioso enunciado. Mesmo que seja formulado por idólatras como os gregos e romanos, ou por pragmáticos e quase ateus como os chineses, o princípio da santidade humana é imprescindível à comunidade humana. Doravante, fratricidas como Caim não mais serão tolerados. Se matou, haverá de morrer. E Lameque? Ainda que louve seus feitos, não ficará impune A uma sociedade leniente e permissiva, como a brasileira, semelhante princípio avulta-se desamoroso e cruel. Em sua essência, entretanto, acha-se o mais amoroso dos preceitos: “Tudo quanto, pois, quer eis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12).
Por que vida por vida? Antes de tudo, porque a vida é o dom mais precioso que nos concedeu o Senhor. Por isso mesmo, só uma vida para resgatar outra vida. Embora a pena de morte seja muito discutida, continua válida e aplicável. A vinda de Cristo não a anulou Ao cristão mio cabe buscar vingança com as próprias mãos. Essa função cabe ao Estado que, se bem ordenado e justo, refletirá a justiça de Deus. É claro que não podemos ver a União Soviética de Stalin, a Alemanha de Hitler, o Camboja de Pol Pot ou a Cuba de Fidel Castro, como expressão da justiça divina. Todavia, há nações que, embora não cristãs, manifestam perfeitamente as leis de Deus.
O princípio da santidade da vida é contra todos os tipos de homicídio: aborto, eutanásia, crimes de guerra, genocídio, experimentos em células-tronco embrionárias e outras modalidades de crimes que hão de surgir com o avanço da ciência e da tecnologia
       3.  Quem mata um ser humano atenta contra Deus. O princípio da justiça divina, entregue a Noé, tem como essência a santidade da vida, fundamentando-se neste axioma quem atenta contra o ser humano contra o próprio Deus atenta, pois fomos criados à sua imagem e semelhança
Desta lei simples e direta surgem todas as demais. A iniquidade que levou o mundo à destruição começou com dois homicidas: Caim e Lameque. O primeiro foi poupado por Deus. Ao invés da pena capital, foi punido com o banimento. Tornou-se andarilho e vagabundo na Terra. Quanto ao segundo, banal mente matou e banal mente louvou seus feitos.

V. O PRINCÍPIO DO GOVERNO HUMANO
Até Noé sair da arca, era o próprio Deus quem governava o mundo. Agora, porém, o Senhor delegará a administração do planeta ao próprio homem.
      1. O governo humano. Teologicamente, o governo humano é a autoridade que Deus entregou a Noé e a seus filhos, tendo como objetivo administrar a justiça, ordenar politicamente a sociedade e tornar sustentável a Terra Embora o governo seja humano, a soberania é divina. O Senhor concede tal autoridade ao homem, para que este, cumprindo-lhe os mandamentos e fazendo-lhe a vontade, traga a plenitude do Reino dos Céus à Terra.
      2. A intervenção ordinária do homem. O governo humano deve ter, como parâmetro, a soberania de Deus. Nossa autoridade, portanto, não deve ignorar a divina, nem nossas atribuições podem ir além dos limites que Ele nos estabeleceu. Na História Sagrada, não foram poucos os governantes que, menosprezando lhe a presença, ousaram governar como se não houvesse Deus. Haja vista Faraó, Etbaal II, Nabucodonosor e Herodes, o Grande. Todos eles foram duramente castigados pelo Rei dos reis e Senhor dos senhores. Por conseguinte, quando o homem governa, intervém ordinariamente no mundo. Se for além, contraria a Deus. Revoltam-me governantes como Stalin, Hitler e certos tiranetes latino-americanos que, tão logo assumem o poder, escravizam seus povos, empenhando-se em apagar o nome divino de suas cartilhas ridículas, nas quais subvertem a moral e os bons costumes.
       3. A intervenção extraordinária de Deus. Embora Deus haja delegado o governo do mundo ao homem, continua Ele a comandar todas as coisas. A todo instante vem intervindo quer na história das nações, quer na biografia de cada pessoa.
Quando necessário, intervém extraordinariamente, Interveio em Sodoma e Gomorra, destruindo ambas as cidades. Interveio no Egito, arrancando de lá a Israel.
Se lermos a história universal comas lentes da soberania divina, constataremos: Deus interveio em Roma, levando-a ao desaparecimento. Na Europa, criando nações e abatendo impérios. São intervenções divinas na comunidade humana.
De fato, o governo é nosso, mas o controle é de Deus. Ainda que o ignoremos, continuará Ele a reinar absoluto sobre todas as coisas.

CONCLUSÃO
O Dilúvio destruiu a raça, mas, em Noé, preservou a espécie humana. Se a primeira civilização teve um fim trágico, a segunda poderia haver começado de maneira responsável e amorosa Mas, como mais adiante veremos, não demoraria para que o homem voltasse aos pecados e iniquidades do mundo de Lameque.
Agora, porém, haverá um diferencial: Deus começará a separar, desde Sem, um povo santo, zeloso e de boas obras, a fim de que lhe preserve o conhecimento e as leis até que venha Jesus Cristo, o desejado de todas as nações. A nação de Israel terá inicio com Sem, ancestral de Abraão, amigo de Deus.




Claudionor Correa de Andrade é um pastor assembleiano e um dos principais teólogos pentecostais brasileiros, membro da Academia Evangélica de Letras (2001) e com a participação na fundação da Academia de Letras Emílio Conde (2002). Além disso, o Pr. Claudionor de Andrade foi um dos editores da Bíblia de Estudo Pentecostal, e o primeiro Diretor de Publicações da Editorial Patmos, braço da CPAD para o mercado hispano



Revista Lições Bíblicas - 4º Trimestre 1975 - Vida cristã abundante


Titulo: Lições Bíblicas
Tema: A vida Cristã abundante
Ano/trimestre: 4º trimestre de 1975 
Comentarista: Geziel Nunes Gomes


Lição 06: O Impiedoso Mundo de Lameque



*Claudionor de Andrade

INTRODUÇÃO

      Como você classificaria um homem que, após haver matado duas pessoas, compõe um poema? Num verseto atrevido e insolente, ele garganteia a façanha às suas esposas: “Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete” (Gn 4.23,24). Sim, como você classificaria tal homem? No mundo que precedeu o Dilúvio, ele foi aclamado como herói. Embora soubesse que o Criador não lhe deixaria impune o duplo homicídio, Lameque continuou a viver como se não houvesse Deus. Sua atitude replicar-se-ia até mesmo entre os filhos de Sete. A partir daquele poema, a humanidade inicia um processo de depravação total e irreversível.
      Nosso mundo em nada difere da sociedade lamequiana, exceto num pormenor estatístico. Naquele tempo, o número dos piedosos não chegava à casa da dezena Hoje, os justos são contados aos milhões.
      Entremos, pois, a conhecer o abominável mundo de Lameque.

      I. A IMPERFEIÇÃO NUM MUNDO PERFEITO
      Lançado em 2014, o filme Noé, roteirizado e dirigido por Darren Aronofsky, levou o leitor da Bíblia à frustração. Pelo menos, esse foi o meu sentimento ao desperdiçar mais de duas horas com aquela caricatura da primeira epopeia da História Sagrada Para começar, Aronofsky mostra o mundo pré-diluviano como que arrasado por uma guerra nuclear. De acordo com a sua paródia, a Terra já não existia ecologicamente. Do texto sagrado, porém, inferimos outra realidade. Nosso planeta era farto e pródigo; a humanidade, saudável e longeva; e, no ambiente natural, reinava perfeita harmonia.
      1. Um planeta farto e pródigo. Apesar do pecado, a Terra pré-diluviana era um habitat perfeito; proporcionava alimentos e regai os a todos. Por isso, os filhos de Adão davam-se ao luxo de viver irresponsável e impiamente Observemos a descrição que faz o Senhor Jesus deste período: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” (Mt 24.38).
       Aquela geração não se angustiava com os problemas que, hoje, nos afligem Ninguém se preocupava com a ecologia Água? Rios e riachos não lhes faltavam Como possuíssem tudo em abundância, gastavam as horas em orgias e truculências. Longevos, nem menção à morte faziam Comiam e bebiam, e contavam a vida em séculos, não em décadas.
       2. Vida longa e próspera. O Sr. Spock, personagem interpretado por Leonard Nimoy (1931-2015), sempre despedia-se de seus amigos com uma saudação quase rabínica: “Vida longa e próspera”. Oriundo de Vulcano, Spock, além de longevo, fazia questão de orientar-se por uma ética irretorquível e através de uma lógica superior e pura.
       A geração de Lameque também usufruía de uma vida longa e próspera. Entretanto, vivia imoral e irracionalmente. Sua lógica era o pecado. Ora, se a sua iniquidade j á tinha uma história de quase dois mil anos, por que mudar? Então, vida longa e próspera a um mundo que se compraz no Maligno.
       Não era incomum deparar-se com um adúltero de seis centos anos, com um assassino de oitocentos ou com um corrupto de quase mil. Imagine a folha corrida dos lamequianos.
       Por isso, o Senhor resolve colocar um limite biológico à vida humana Doravante, os filhos de Adão e Eva não irão além dos 120 anos (Gn 6.3). Se fizermos uma comparação entre as genealogias dos capítulos cinco e 11 de Gênesis, verificaremos que, na primeira, a vida humana era computada em séculos. Na segunda, nossa existência já pode ser contada em décadas. Se Matusalém chegou a 969 anos, Terá, pai de Abraão, morrerá aos 205 (Gn 11.32). Foi este, a propósito, o último dos longevos. Na conclusão do Gênesis, constata-se a fronteira biológica do ser humano j á estava fixada José, filho de Jacó, falece aos 110 anos (Gn 50.26). Mais tarde, queixar-se-ia Moisés da efemeridade da existência (SI 90.10).
       Com uma vida quase milenar, os pré-diluvianos viviam pendularmente entre a eternidade e a impunidade Como um homem de quase mil anos haveria de temer a morte? E se Deus j á os entregara aos próprios erros, não lhes castigando de imediato a iniquidade, por que temer o Juízo Final se a História mal havia começado? Por essa razão, os contemporâneos de Noé viviam para pecar e pecavam para viver.
       3. Harmonia ecológica. Até o Dilúvio, havia perfeita harmonia entre os reinos animal, vegetal e humano. Os animais selvagens não representavam qualquer ameaça A única ameaça era o próprio homem Agressivo e irreconciliável, amedrontava até mesmo a mais brutal das feras. Após o Dilúvio, contudo, pavor e medo recairiam sobre o reino animal; sobre a natureza, gemido e angústia (Gn 9.2; Rm 8.22). O mundo ainda era perfeito, belo e sustentável. Mas o povo que o habitava era o antônimo de tudo isso. Ao invés de agradecer ao Criador por todas as benesses, os filhos de Adão aproveitavam tais favores para depravar-se totalmente, Um mundo perfeito para uma geração imperfeita.

      II. O EFEITO LAMEQUE
      Teologicamente, Adão foi o grande responsável pela introdução do pecado no mundo (Rm 5.12). Historicamente, porém, o pecado alastrou-se a partir de Lameque, filho de Metusael (Gn 4.18). Foi ele o primeiro pecador confesso da história da humanidade De uma única feita, admitiu haver cometido duas transgressões contra Deus. Sua confissão, todavia, não foi acompanhada de arrependimento nem remorso; fez-se acompanhar de um medo que logo seria esquecido. Indiretamente, confessa a bigamia E, diretamente, o duplo homicídio. Sua confissão j az num poema que, hoje, é conhecido como o Cântico da Espada.
      1. A bigamia. De conformidade com o projeto original de Deus, o casamento teria como fundamento a heterossexual idade, a monogamia e a indissolubilidade. Lameque, entretanto, corrompeu as bases do matrimônio, tomando para si duas esposas: Ada e Zilá.
      Noutra circunstância, os nomes de suas mulheres até rima dar iam Mas, naquele momento, não havia ritmo nem harmonia,- havia uma iniquidade que, assustadora e rapidamente, começava a alastrar-se por aquela região. De berço, a região do Éden ia transformando-se no túmulo da primeira civilização humana Na vida de Lameque, as coisas ruins vinham aos pares: duas mulheres, dois homicídios, etc. Tivesse o seu poema mais versos, outras iniquidades apareceriam em duplas. Sua confissão duplicada basta para mostrar um processo irreversível de apostasia. Da poligamia à promiscuidade sexual foi apenas um passo. Seu exemplo contaminaria inclusive a linhagem de Sete que, apesar de um passado santo e piedoso, também se deixará contaminar pela libertinagem Eis o testemunho da Bíblia: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6.1,2).
      Os descendentes de Sete, aqui alcunhados de filhos de Deus, mio somente fazem-se polígamos, como também ultrapassam todos os limites da decência. Tomando para si quantas mulheres lhes permitiam a luxúria e a libertinagem, transformaram o convívio social numa orgia desenfreada.
      2. Duplo homicídio. Se Caim teve de ser duramente arguido por Deus para confessar o assassinato de Abel, não precisou Lameque de arguição alguma. Espontânea e livremente, declara haver assassinado banalmente dois homens. Um adulto, ele o matou porque o ferira E um rapaz por lhe ter pisado. Se recorrermos ao original, constataremos que o segundo crime foi ainda mais grave. Lameque revela ter assassinado um j ovem Em hebraico, yeled pode aludir tanto a um adolescente quanto a uma criança. Logo, o seu crime, além de banal e covarde, foi singularmente brutal.
      Nossos dias parecem não diferir em nada do mundo de Lameque Por um grama de droga há muito j ovem, adolescente e criança perdendo a vida E, por causa de uns míseros centavos, muita gente não retorna ao lar. Banalmente, assassina-se, hoje, como banalmente assassinava-se naqueles começos da História Tanto no princípio, quanto no fim, a índole criminosa do ser humano em nada melhorou,- caminhamos de mal a pior.
Lameque deflagrou a iniquidade por todo o planeta. Hoje, somos angustiados por assassinatos, genocídios e crimes contra a humanidade Haja vista os extermínios de judeus e armênios, e a matança promovida como política pública por monstros como Stalin, Hider, Mao Tsé-Tung e Pol Pot.

       III. UM MUNDO PARADOXAL
       O mundo de Lameque não era caracterizado apenas pela rebelião contra Deus. No exercício de seu mandato cultural, desenvolveu, desde cedo, a agropecuária, a metalurgia e a música Foi uma época de grandes conquistas intelectuais e tecnológicas. Do texto bíblico, inferimos que a engenharia já estava bem desenvolvida, pois a geração pós-diluviana não teve dificuldades em construir a Torre de Babel. O curioso é que todo esse progresso proveio da geração de Caim Os filhos de Sete, antes de se transviarem, haviam se dedicado mais às atividades espirituais e teológicas.
       1. A primeira cidade. Banido da presença do Senhor, Caim habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. Ali, teve o seu primogênito, a quem chamou Enoque Como a sua linhagem se multiplicasse, organiza ele uma cidade, a qual dá o nome de seu filho mais velho. Em torno desse centro urbano, as atividades profissionais diversificam-se Aparecem os pecuaristas como Jabal. Surgem os metalúrgicos como Tubalcaim E despontam os artistas como Jubal. Também irrompem os primeiros conflitos, revelando grandes e notórios criminosos e malfeitores.
       No campo e na cidade, a rebelião contra Deus alastra-se, contaminando toda a Terra O fenômeno urbano encarrega-se de espraiar os maus exemplos, levando os filhos de Adão a um rápido processo de depravação essencial e total.
       Apesar de a Bíblia nada dizer acerca da civilização setista, esta organizou-se também em cidades. Inexistindo barreiras linguísticas e geográficas, não demoraria para que a civilização caimita englobasse a setista, e lançasse os fundamentos da megalópole da iniquidade. Foi o primeiro ensaio do Anticristo no estabelecimento de seu império. Vejamos as atividades econômicas da civilização caimita.
       2. Atividades agropecuárias. Embora os descendentes de Adão e Eva pudessem viver da caça e da coleta de frutas, verduras e legumes, desde cedo empenharam se em trabalhar seletiva e metodicamente a terra. Essa preocupação acentuou-se entre os filhos de Caim, o primeiro agricultor.
       Jabal, filho de Lameque, deixando a cidade de Enoque, passou a dedicar-se à criação de gado. E, na busca por boas pastagens, faz-se nômade Por isso, ele é conhecido como o “pai dos que habitam em tendas e possuem gado” (Gn 4.20). Observemos que, para construir e erguer tendas, necessitava Jabal de instrumentos cortantes e coberturas para suas moradias portáteis. Teriam aqueles antigos habilidades para fiar o algodão e o linho? Deveríamos pensar nesses detalhes, pois são bastante reveladores.
       3. Atividades industriais. Não há agricultura nem pecuária sem uma indústria de base Há de se ter, pelo menos, uma boa metalurgia para se forjar enxadas, pás e relhas aos agricultores, e os instrumentos próprios dos pecuaristas. E justamente aí que surge a indústria de Tubalcaim Filho de Caim com Zilá, foi ele “artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro” (Gn 4.22).
       Não foi, portanto, o homo erectus quem descobriu o fogo. Dizem os evolucionistas que este, ao observar os raios faiscando nas árvores, veio a intuir ser possível dominá-lo. Também não foi Prometeu quem no-lo proporcionou, roubando-os aos deuses do Olimpo. Se alguém descobriu o fogo não foi o homo erectus, nem os deuses da mitologia grega, mas o justo Abel que, ao fazer sua oferenda ao Senhor, queimou-a como cheiro suave A par rir dai, os filhos de Adão passaram a utilizá-lo, a fim de preparar alimentos, alumiar suas casas, etc.
       Tubalcaim viria a descobrir ser possível industriar o fogo e, assim, fundir os minérios de bronze e de ferro. Ora, se a região era rica em ouro, por que não explorá-lo? Acredito que, se a humanidade não tivesse pecado contra o Senhor, poderia ter começado a civilização não a partir do ferro, mas do ouro.
       Segundo a história secular, a Idade do Ferro teria começado por volta do ano 1200 a C. Todavia, j á na aurora da humanidade, havia um metalúrgico e fundidor que, admiravelmente, sabia como trabalhar o bronze e o ferro. Processando-os, forjava instrumentos cortantes. Das forjas de Tubalcaim deve ter saído também muita espada e punhal. Violência era o que não faltava àquela época.
       4. Atividades intelectuais e artísticas. A música brotou da alma do homem, pois sempre esteve no Espírito de Deus. Quando o Senhor criava os céus e a terra, os anjos entoavam-lhe louvores altos e eternos (Jó 38.7). Acredito que a feitura de Adão fez-se também acompanhar dos coros angélicos. Por isso, somos naturalmente musicais. Jubal, também filho de Lameque, foi “o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gn 4.21). Observando a sinfonia da natureza, logo descobriu ser possível arrancar harmonias e ritmos da madeira e do metal. Dessa forma, compôs músicas e madrigais. Terá ele musicado o poema de Lameque? O certo é que, não somente criou instrumentos, como também ensinou música Ele inventou harpas e flautas. Os músicos subsequentes criariam a trombeta, o pífaro, a citara, o saltério e a gaita de foi es (Dn 3.5).
       Paradoxalmente, as finuras da mente eram livre e espontaneamente manifestadas, apesar da corrupção que campeava no mundo de Lameque Longe de serem primitivos e involuídos, os primevos eram evoluídos, inteligentes e muito mais inventivos do que nós. Só lhes faltava uma coisa a verdadeira sabedoria que nos advém com o temor a Deus.

      IV. A RELIGIÃO DE LAMEQUE
      No mundo de Lameque, não havia espaço aos ídolos de barro, madeira ou ferro. Ali, a religião era agressivamente antropológica Seus ídolos eram os varões que se notabilizavam por atos violentos, por façanhas truculentas e por repetidas e agravadas blasfêmias contra o Espírito Santo. A geração de Lameque era uma raça de anticristos: homens, mulheres e crianças depravavam-se até ao inferno. Um mundo irremissível; votado à destruição. Era uma gente pior do que Satanás. Se não fosse destruída, arruinaria para sempre a criação divina
      1. A teologia. A geração de Lameque não desconhecia a presença de Deus. E, posto não haver ainda o governo humano, o próprio Criador era quem os governava Aqueles ímpios, contudo, confrontavam o Eterno, não lhe aceitando a governança.
      Aquela gente tinha a Deus como fraco e leniente; um criador distante da criação. E, como fossem todos longevos, desconheciam as noções de brevidade que, hoje, levam-nos a refletir seriamente sobre a morte Para eles, a vida era longa e próspera Havia gente mais velha que Portugal, mais antiga que os Estados Unidos e com mais história que o Brasil. Segundo imaginavam, Deus não fazia bem nem mal.
      2. Os ídolos. O autor sagrado fala dos heróis daquela época: “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra,- e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram vai entes, varões de renome, na antiguidade” (Gn6.4). Os tais não eram semi deus es nem super-humanos, mas pecadores notórios. Nem após o arrebatamento da Igreja o mundo chegará a tal degradação, pois, nos últimos dias, ainda haverá arrependimentos e conversões. Portanto, o Dilúvio era inevitável.
      3. A relação com o Espírito de Deus. Da geração de Lameque, falou o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3). Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espírito Santo. Da resistência ao Espírito de Deus, aqueles homens, mulheres e crianças passaram a blasfemar contra a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, depravando-se totalmente.
      Imaginemos toda uma civilização a blasfemar contra o Espírito Santo. Fizeram-se aqueles homens piores do que os demônios. Estes, por não serem dotados de corpo, não podem estragar a criação física. Aqueles, pelo contrário, dotados de corpo e alma, transgrediam tanto no campo espiritual, como âmbito terreno. Os seguidores de Lameque eram duplamente endemoninhados.

      CONCLUSÃO
      Vivemos dias semelhantes aos de Lameque Nosso mundo parece depravar-se total e irreversível mente. Hoje, porém, temos um povo mais forte e numeroso que a família de Noé Se naquele tempo os justos eram contados em unidades, agora, são computados em milhões. Portanto, como sal da terra e luz do mundo, evangelizemos, protestemos contra o pecado e, através de um testemunho ilibado, apregoemos a volta de Cristo.
       Enquanto a Igreja for Igreja, o Anticristo não achará guarida completa neste mundo. Embora avance em todas as áreas, sempre encontrará homens, mulheres, jovens e até crianças dispostos a barrar-lhe a trajetória. Não podemos esquecer nossa vocação de sal e de luz. Se tivermos ambas as propriedades em nosso testemunho pessoal e coletivo, levaremos o Evangelho de Cristo até aos confins da terra sem impedimento algum.


Claudionor Correa de Andrade é um pastor assembleiano e um dos principais teólogos pentecostais brasileiros, membro da Academia Evangélica de Letras (2001) e com a participação na fundação da Academia de Letras Emílio Conde (2002). Além disso, o Pr. Claudionor de Andrade foi um dos editores da Bíblia de Estudo Pentecostal, e o primeiro Diretor de Publicações da Editorial Patmos, braço da CPAD para o mercado hispano.